Os laudos periciais da Polícia Científica de Santa Catarina concluíram que não há fraturas nos ossos do cão comunitário Orelha e que não é possível determinar a causa da morte do animal, encontrado agonizante após suposta agressão na Praia Brava, em Florianópolis.

A análise foi realizada após exumação do corpo, ocorrida em 11 de fevereiro, a pedido do Ministério Público de Santa Catarina. O material pericial inclui ainda exame de imagens de câmeras de segurança registradas na madrugada de 4 de janeiro de 2026, data do desaparecimento do animal.

Exumação e limitações técnicas

Segundo o laudo, o corpo estava em avançado estado de putrefação e esqueletização, o que inviabilizou a análise de tecidos moles e órgãos internos. Dessa forma, a perícia concentrou-se exclusivamente na avaliação óssea.

“Todos os ossos do animal foram minuciosamente examinados visualmente, não tendo sido constatada qualquer fratura ou lesão que pudesse ter sido causada por ação humana”, afirma o documento.

Os peritos ressaltam, contudo, que a ausência de fraturas não descarta a possibilidade de traumatismo cranioencefálico. O texto destaca que a maioria dos traumas cranianos pode ocorrer sem provocar fratura óssea, sendo ainda assim potencialmente letal.

Boato descartado

O laudo também afastou a hipótese, disseminada nas redes sociais, de que um prego teria sido cravado na cabeça do animal. Segundo os peritos, tal lesão deixaria fratura circular no crânio — o que não foi constatado.

Patologias pré-existentes

Foram identificadas alterações crônicas compatíveis com a idade do cão, como:

  • Osteomielite crônica no maxilar esquerdo

  • Espondilose deformante na coluna

  • Degenerações articulares nos joelhos

Conforme o documento, essas condições não possuem relação com eventual trauma recente.

Análise de imagens

A perícia examinou sete vídeos captados por câmeras de rua e condomínios da região. Durante o período analisado, não foram identificadas alterações significativas na locomoção do animal.

As imagens mostram Orelha deitado por cerca de 63 minutos na área de acesso de um condomínio, enquanto pelo menos 13 pessoas passaram pelo local sem interação relevante. O cão deixou o espaço caminhando normalmente.

Também não foram identificados indícios claros de adulteração maliciosa nos vídeos.

Investigação segue sob sigilo

O caso permanece sob investigação da Polícia Civil de Santa Catarina e do Ministério Público. O processo tramita em segredo de Justiça por envolver adolescentes, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.

A Polícia Civil solicitou a internação de um dos jovens apontados como suspeito de ato infracional análogo a maus-tratos contra animal. O Ministério Público avalia o conjunto probatório antes de decidir se acolhe o pedido, solicita novas diligências ou promove o arquivamento.

Fontes: CNN Brasil, G1 e Folha Vitória
Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Porto Velho e Vitória

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