O naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, ocorrido na tarde de sexta-feira (13/02), nas proximidades do Encontro das Águas, em frente à cidade de Manaus/AM, deixou um rastro de dor e mobilização de equipes de resgate e investigação. A embarcação, que partiu de Manaus com destino aos municípios de Nova Olinda do Norte e Tefé, transportava mais de 70 passageiros quando perdeu estabilidade e acabou afundando.
Até o momento, duas mortes foram oficialmente confirmadas: uma criança do sexo feminino, de aproximadamente três anos, e uma mulher adulta. No Porto do Ceasa, a criança em parada cardiorrespiratória chegou a ser atendida, mas não resistiu. As vítimas já foram identificadas oficialmente pelas autoridades, que informaram ainda que os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos legais de identificação e posterior liberação às famílias enlutadas. Sete pessoas seguem desaparecidas, e as operações de busca continuam em andamento.
Resgate inusitado e sobreviventes
Uma das histórias mais comoventes da tragédia foi o resgate de um recém-nascido de apenas cinco dias de vida, encontrado com vida dentro de um cooler (caixa de isopor) nas proximidades do local do acidente. Testemunhas relataram que a estratégia improvisada ajudou a proteger o bebê até a chegada das equipes de resgate e acabou salvando sua vida em meio à tragédia.
Diversos sobreviventes foram retirados da água por embarcações civis e pelas equipes oficiais antes mesmo da chegada aos pontos de triagem. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) atuou na resposta à ocorrência com três unidades de Suporte Básico, uma Unidade de Suporte Avançado e duas motolâncias. No ponto de triagem do Porto do Roadway, três vítimas receberam atendimento sem necessidade de remoção hospitalar.
Busca intensificada mesmo com chuva
As equipes de resgate retomaram as buscas por desaparecidos por volta das 6h30 da manhã de sábado (14/02), sob condições climáticas adversas. A chuva forte que atinge Manaus tem dificultado as operações, reduzindo visibilidade e mobilidade. O Corpo de Bombeiros do Amazonas informou que 25 mergulhadores, seis embarcações e cerca de 20 agentes da Defesa Civil do Amazonas atuam em duas frentes: uma de busca na superfície e outra de mergulho. Drones e apoio aéreo também integram a operação.
O fenômeno dos banzeiros altos, comuns no encontro dos rios Negro e Solimões, aliado às ventanias registradas no fim de semana, é citado como um dos fatores que podem ter contribuído para a instabilidade da lancha. Especialistas apontam que embarcações leves, como a Lima de Abreu XV, podem ser mais vulneráveis sob essas condições, embora as causas exatas ainda estejam sendo apuradas pelas autoridades.
Piloto liberado após pagamento de fiança
O comandante da lancha, identificado como Pedro José da Silva Gomes, de 42 anos, foi detido no início da noite de sexta-feira, logo após o resgate dos passageiros, no Porto de Manaus. Ele foi inicialmente levado ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e, com a confirmação das mortes, transferido para a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde prestou depoimento.
Neste sábado (14/02), a Polícia Civil do Amazonas informou que, após o pagamento de fiança, Pedro José foi liberado e responderá em liberdade pelo crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A investigação segue sob responsabilidade da DEHS.
Fonte: jpnewsmanaus.com.br
Por Tatiana Sobreira, direto da redação da Jovem Pan News Manaus e Vitória







