A defesa da influenciadora e advogada Deolane Bezerra afirmou nesta sexta-feira (22) que ela é “absolutamente inocente” das acusações investigadas na Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e pela Polícia Civil.

Em nota, os advogados classificaram como “desproporcionais” as medidas adotadas pela Justiça e disseram que irão colaborar com as investigações para esclarecer os fatos.

A influenciadora foi presa na quinta-feira (21) durante a operação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.

Defesa questiona investigação

A irmã da influenciadora, Daniele Bezerra, também se pronunciou nas redes sociais e contestou os valores investigados.

Segundo ela, Deolane recebeu R$ 24 mil referentes a honorários advocatícios pagos por um cliente em 2020 e não teria qualquer ligação com atividades criminosas.

A defesa sustenta que os valores citados na investigação foram recebidos legalmente no exercício da advocacia e afirma que a prisão seria ilegal.

Os advogados também alegaram que Deolane poderia responder ao processo em prisão domiciliar, argumentando que ela é mãe de uma criança de nove anos e que os supostos crimes investigados não envolveram violência ou grave ameaça.

Prisão preventiva

Após audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (21), a Justiça converteu a prisão da influenciadora em preventiva.

Na madrugada desta sexta-feira (22), Deolane foi transferida do Complexo Prisional de Santana, na capital paulista, para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

Operação investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Segundo investigadores, a Operação Vérnix apura um esquema estruturado de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao PCC.

As investigações apontam que uma empresa de transportes teria sido utilizada para movimentar recursos ilícitos da organização criminosa.

De acordo com o inquérito, a transportadora Lopes Lemos Transportes Ltda, conhecida como “Lado a Lado Transportes”, teria movimentado mais de R$ 20 milhões com incompatibilidade entre valores declarados ao Fisco e movimentações financeiras identificadas pela polícia.

O Ministério Público afirma que Deolane teria recebido valores oriundos da empresa investigada e utilizado sua estrutura financeira para inserir recursos ilícitos no sistema financeiro formal.

Outros alvos da operação

Além de Deolane, a operação também teve como alvos:

  • Marco Herbas Camacho;
  • Alejandro Camacho;
  • Paloma Sanches Herbas Camacho;
  • Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho;
  • Everton de Souza.

Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.

Também foram bloqueados mais de R$ 327 milhões em bens e valores, além do sequestro de 17 veículos de luxo e quatro imóveis ligados aos investigados.

Investigação começou em 2019

As investigações tiveram início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau.

Segundo a polícia, o material continha referências à estrutura interna do PCC, ordens da cúpula da facção e movimentações financeiras suspeitas.

A operação também possui desdobramentos internacionais. Três investigados localizados na Itália, Espanha e Bolívia foram incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol.

Com informações da Jovem Pan nacional* (Rafael Rintzel, David de Tarso e Fernando Keller)
Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Vitória

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