No dia 11 de fevereiro de 2026, a agricultora Tatiane Loch Cequinel deixou a Escola Estadual do Palmital 43, em Roncador (PR), emocionada ao verificar o estado de abandono do prédio e assinar os documentos que encerram a Associação de Pais e Mestres, último ato oficial da unidade que funcionou por décadas para as crianças e adolescentes da zona rural.
“Já não está com a graminha cortada, já não tem criança”, lamentou Tatiane, que estudou na escola e esperava ver seus filhos continuarem a frequentá-la. A menina dela, por exemplo, iria ingressar no primeiro ano de 2026, segundo a própria agricultora.
A escola constava como unidade estadual de ensino fundamental na zona rural de Roncador, com matrícula zerada no Censo Escolar, reflexo do processo de esvaziamento que antecedeu o fechamento.
Queda generalizada de escolas rurais no Brasil
O fechamento da Palmital 43 faz parte de uma tendência nacional de desmonte das escolas rurais: entre 2000 e 2024, o Brasil perdeu 163.854 escolas públicas, sendo 110.758 delas em áreas rurais, resultado de decisões administrativas de secretarias de educação sem diálogo efetivo com as comunidades afetadas.
Em 2024, 1.585 escolas rurais foram extintas, de um total de 3.159 unidades eliminadas no país (incluindo áreas urbanas), conforme levantamento do Fórum Nacional de Educação do Campo (Fonec) com base em dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Com o fim das atividades, os estudantes da Palmital 43 foram remanejados para escolas mais distantes, aumentando jornadas e deslocamentos diários. Esse cenário é repetido em muitas comunidades rurais, onde o fechamento de escolas representa um rompimento com o vínculo social, cultural e econômico dos territórios.
Para muitas famílias, a escola do campo não é apenas um local de aprendizado formal, mas um centro de convivência comunitária, uma estrutura que faz parte da identidade e da vida cotidiana das comunidades rurais.
Dados oficiais do Ministério da Educação e Inep
De acordo com o Censo Escolar 2024, divulgado recentemente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Brasil contabilizou 179,3 mil escolas de educação básica, com 47,1 milhões de matrículas, uma leve queda em relação ao ano anterior, reflexo de mudanças demográficas e da perda de unidades de ensino em áreas rurais e urbanas.
O relatório do Inep ressalta que, apesar de o atendimento escolar manter números elevados, há queda em matrículas na rede pública, enquanto a rede privada cresce, e que a distribuição das escolas por localidade evidencia a vulnerabilidade das unidades em áreas rurais.
Repercussão e reação das entidades
Organizações como o Fórum Nacional de Educação do Campo, das Águas e das Florestas (Fonec) têm divulgado notas públicas de denúncia contra o fechamento de escolas nas zonas rurais e territórios tradicionais, qualificando o fenômeno como uma violação ao direito constitucional à educação e um agravante das desigualdades históricas entre campo e cidade.
Fonte: Brasil de Fato e dados do Inep / Censo Escolar 2024
Assinatura: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Manaus e Vitória







