Um trabalho silencioso, persistente e guiado pelo compromisso com a natureza transformou uma área degradada em um verdadeiro refúgio ambiental no Espírito Santo. Ao longo de 35 anos, um casal capixaba plantou mais de 4 mil mudas de espécies nativas, recuperando a vegetação e devolvendo vida ao local.
A iniciativa começou de forma simples, com o objetivo de recompor uma área que havia sofrido com o desmatamento e a perda da cobertura vegetal. Com o passar dos anos, o plantio contínuo permitiu a regeneração do solo, o retorno da sombra natural e a recuperação gradual do equilíbrio ecológico.
Hoje, o espaço abriga uma diversidade de árvores da Mata Atlântica e já apresenta sinais claros de recuperação ambiental. Além da vegetação, a área passou a atrair pássaros e outros animais, indicando a retomada da biodiversidade, um dos principais indicadores de sucesso em projetos de restauração ecológica.
José Henrique Gravel e a esposa, Tânia Gravel, agora produtores rurais, são os responsáveis pela transformação que mudou completamente a paisagem do local, criando um verdadeiro reduto ambiental. Trabalho movido por um sonho que vinha desde a infância.
A recuperação da área exigiu persistência. O casal enfrentou desafios climáticos, dificuldades financeiras e problemas de saúde, mas seguiu firme no projeto. O primeiro passo veio de uma atividade produtiva alinhada à preservação ambiental: a criação de abelhas.
Antes de se estabelecerem em Guaçuí, na região do Caparaó capixaba, município com menos de 30 mil habitantes, o casal levava uma vida em Vila Velha, na Grande Vitória, onde a população é mais de 15 vezes maior e a rotina urbana era intensa. A decisão de deixar a estabilidade financeira e recomeçar no campo foi cercada de incertezas, mas também movida pela busca por um novo propósito.
“Você deixar tudo, uma vida estabilizada financeiramente, e vir para um lugar onde não tinha nada, só uma casa, com duas filhas, e sonhar um sonho que não era meu, era dele, foi difícil. Eu achei que com três meses ele ia desistir e voltar. Mas passaram esses três meses e quem não queria voltar era eu. Abracei e virou o nosso sonho”, contou Tânia Gravel.
Além de uma vida mais tranquila, o trabalho desenvolvido na propriedade trouxe benefícios ambientais importantes. Ao longo dos anos, a área passou de uma única nascente para 14, resultado do reflorestamento e das práticas de conservação. O casal também construiu uma barragem com capacidade para armazenar até 2 milhões de litros de água e implantou técnicas de retenção hídrica, como barraginhas e caixas secas, que ajudam a manter a água no solo e a garantir a recuperação dos recursos hídricos da região.
Segundo especialistas, o reflorestamento vai além do plantio de mudas. O processo exige cuidados constantes, como controle de espécies invasoras, proteção contra incêndios e acompanhamento do desenvolvimento da vegetação, até que o ecossistema volte a se sustentar de forma natural.
O caso do casal capixaba se tornou um exemplo de como iniciativas individuais podem gerar impactos positivos de longo prazo. Em um cenário de mudanças climáticas e perda de áreas verdes, ações de recuperação da Mata Atlântica são consideradas estratégicas para a conservação da biodiversidade, proteção dos recursos hídricos e redução da temperatura local.
A história também reforça a importância do engajamento da sociedade na preservação ambiental. Projetos de pequena escala, quando mantidos ao longo do tempo, podem contribuir significativamente para a recuperação de áreas degradadas e para a formação de corredores ecológicos.
O refúgio criado ao longo de mais de três décadas representa não apenas um ganho ambiental, mas também um legado para as futuras gerações, mostrando que a restauração da natureza é um processo possível, mesmo quando começa com poucos recursos e muita dedicação.
Fonte: G1 Espírito Santo
Por: Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória







