O recente artigo “Indústria em alta: ES cresce, mas desafio é manter o ritmo”, publicado pela Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes), apresenta um panorama positivo da indústria capixaba em 2025, e um olhar pragmático para 2026, com foco em manter a trajetória de crescimento mesmo diante de obstáculos estruturais. A análise reafirma o papel estratégico do setor industrial no desenvolvimento econômico do Espírito Santo, mas alerta que atenção permanente em políticas públicas, capacitação profissional e inovação será crucial para sustentar esse avanço.

Segundo o texto assinado por Paulo Baraona e divulgado pela Findes, a indústria no Espírito Santo alcançou resultados expressivos, com crescimento significativo na produção e projeções robustas de investimentos superiores a R$ 100 bilhões nos próximos cinco anos, dos quais aproximadamente 60% são originados no setor produtivo. Esse desempenho, de acordo com a análise, não é reflexo de eventos isolados, mas de um ambiente de negócios mais competitivo e planejado que atrai investimentos nacionais e internacionais.

O protagonismo industrial no ES e o ambiente de negócios

A Findes, entidade que representa a indústria capixaba e integra o Sistema Findes junto a SESI-ES, SENAI-ES, IEL-ES, Cindes, entre outras instituições de apoio ao setor, tem reafirmado sua atuação em prol da qualificação profissional, inovação tecnológica e advocacy institucional para fortalecer a competitividade regional.

Esse protagonismo se reflete também nas projeções do Indicador de Atividade Econômica (IAE-Findes), que mostra que o Espírito Santo vem mantendo um ritmo de expansão, com a economia projetada para crescer cerca de 1,9% em 2026, mesmo que em intensidade menor que 2025, refletindo maturidade do ciclo econômico.

Quatro entraves críticos para 2026

Apesar das perspectivas positivas, a análise da Findes destaca quatro desafios estruturais que precisam ser enfrentados se o estado quiser manter a competitividade industrial. O primeiro deles é o endividamento público e juros elevados: Encargos financeiros altos encarecem o crédito para empresas e limitam investimentos em modernização e expansão; A escassez de capital humano qualificado: A indústria evolui em complexidade e demanda profissionais com competências técnicas e digitais, o que exige parcerias fortes entre empresas, instituições de ensino e poder público; A infraestrutura antiquada: Portos, rodovias e logística precisam de modernização para reduzir custos de escoamento e ampliar a competitividade exportadora; Ocusto Brasil: Burocracia, tributos e insegurança regulatória continuam a elevar custos de produção em comparação com mercados concorrentes.

Estes fatores, segundo a análise, não apenas limitam a capacidade de atrair investimentos de maior valor agregado, mas também colocam sob pressão a sustentabilidade do crescimento no médio e longo prazo.

O olhar para 2026: sustentabilidade e inovação

Para 2026, a indústria capixaba enfrenta um ponto de inflexão: consolidar ganhos recentes e iniciar um novo ciclo baseado em inovação, capacitação e um ambiente de negócios mais eficiente. Modelos de parceria entre poder público e iniciativa privada, assim como maior integração entre indústria e instituições de pesquisa, podem acelerar a adoção de tecnologias e produtos de maior valor agregado.

Especialistas também reforçam a importância de um sistema educacional alinhado às demandas do setor industrial moderno, com foco em competências digitais, automação e capacidades técnicas especializadas, áreas nas quais o SENAI-ES e outras instituições do Sistema Findes têm papel central.

A análise da Findes traça um quadro de oportunidades reais para a indústria do Espírito Santo em 2026, mas ressalta que os resultados obtidos em 2025 não devem ser interpretados como garantidos. Sustentar o ritmo de crescimento exigirá ações estratégicas coordenadas, políticas públicas favoráveis e um foco renovado em inovação e educação técnica.

Fonte: Findes – Indústria em alta: ES cresce, mas desafio é manter o ritmo (publicado em 11 de fevereiro de 2026)

Por Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória

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