Especialistas do setor de petróleo e gás afirmam que a privatização da BR Distribuidora pode ter reduzido a capacidade do Estado brasileiro de atuar na regulação estratégica do mercado de combustíveis, especialmente em momentos de crise internacional.
Segundo analistas ouvidos pela Agência Brasil, aumentos expressivos nos preços da gasolina e do diesel em alguns estados não estariam relacionados apenas à instabilidade no cenário internacional. Em cidades como São Paulo, há registros de postos vendendo gasolina por valores próximos a R$ 9 por litro.
De acordo com especialistas, a venda da BR Distribuidora retirou do governo uma ferramenta considerada estratégica para acompanhar e influenciar a formação de preços no mercado de combustíveis.
Mudança na estrutura do mercado
Antes da privatização, a empresa fazia parte da estrutura da Petrobras e atuava na distribuição de combustíveis em todo o país. Com a venda do controle acionário em 2019 e a saída definitiva da Petrobras em 2021, a companhia passou a atuar como empresa privada e adotou o nome de Vibra Energia.
Para analistas do setor, a mudança reduziu a integração da cadeia produtiva que anteriormente ia “do poço ao posto”, permitindo maior influência do mercado privado na definição dos preços.
Sem essa estrutura verticalizada, especialistas afirmam que o país perdeu um instrumento institucional que poderia ajudar a conter especulações ou aumentos considerados abusivos em momentos de crise energética.
O debate sobre a privatização voltou à tona em meio ao aumento global no preço do petróleo, impulsionado por tensões internacionais e conflitos no Oriente Médio.
Para entidades do setor energético, esse cenário tem sido usado por distribuidoras e revendedoras como justificativa para reajustes nos preços ao consumidor, mesmo quando não há aumento equivalente nas refinarias.
Segundo representantes do setor petrolífero, os combustíveis são considerados produtos estratégicos para a economia e influenciam diretamente o custo do transporte, da produção agrícola e da inflação.
Debate sobre presença do Estado no setor
O tema reacende discussões sobre o papel do Estado em setores considerados estratégicos para a economia, como o de energia.
Para especialistas, a presença de empresas públicas na cadeia de produção e distribuição pode permitir políticas de preços mais estáveis e maior capacidade de intervenção em períodos de instabilidade econômica.
O debate sobre a política de preços dos combustíveis no Brasil continua sendo tema central nas discussões sobre energia, inflação e desenvolvimento econômico.
Fonte e foto: Agência Brasil
Edição: Tatiana Sobreira, da Redação Jovem Pan News Vitória







