Cientistas brasileiros estão soando o alerta para o avanço rápido do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), espécie invasora de origem asiática, nos sistemas fluviais da região Amazônica. Estudos recentes mostram que o mexilhão já se espalhou por todos os municípios banhados pelo rio Tocantins e alcançou sistemas hídricos conectados, como o rio Pará e áreas da Ilha do Marajó, com risco de alcançar também o principal curso da Bacia Amazônica.
A presença do molusco em áreas amazônicas foi confirmada pela primeira vez em outubro de 2023 no rio Tocantins, vários anos antes do previsto por modelos científicos.
Em um estudo publicado recentemente na revista Acta Limnologica Brasiliensia, pesquisadores documentaram pela primeira vez dados quali-quantitativos sobre a presença do mexilhão-dourado na Amazônia brasileira. A pesquisa, baseada em amostras coletadas em outubro de 2024 em trechos do rio Tocantins, mostrou que a espécie se estabeleceu ali com uma evidência de pelo menos um ciclo reprodutivo completo, o que indica adaptação e forte potencial de dispersão no ambiente local.
Os cientistas envolvidos no estudo combinaram revisão sistemática da literatura científica, relatos de campo e dados digitais para mapear a presença da espécie e monitorar sua expansão. Os primeiros resultados apontam uma densidade populacional elevada nas áreas analisadas e sugerem que a espécie pode continuar seu avanço para outras regiões da bacia amazônica se medidas de controle e monitoramento não forem implementadas.
A chegada do mexilhão-dourado à Amazônia preocupa ambientalistas e pesquisadores por causa dos impactos ambientais e socioeconômicos que ele pode causar. Entre eles estão o desequilíbrio na cadeia alimentar aquática, a competição com espécies nativas e a obstrução de equipamentos de pesca, irrigação e sistemas de abastecimento de água – efeitos que já vêm sendo observados em outras bacias do Brasil desde a década de 1990.
Especialistas afirmam que, além do acompanhamento científico contínuo, é fundamental fortalecer programas de monitoramento, controle e prevenção para minimizar os efeitos da bioinvasão e proteger os ecossistemas amazônicos que são fundamentais para a biodiversidade e para milhões de pessoas que dependem desses recursos hídricos.
Fonte: ClimaInfo e estudo publicado na Acta Limnologica Brasiliensia
Por Tatiana Sobreira, da Jovem Pan News Manaus e Vitória







