A Alemanha vem chamando a atenção por um cenário incomum no mercado de trabalho: sobram vagas, mas faltam profissionais qualificados para preenchê-las. A situação tem levado autoridades e empresas a buscar trabalhadores estrangeiros, inclusive brasileiros, para suprir a demanda.

A falta de trabalhadores está relacionada, principalmente, ao envelhecimento da população e à baixa taxa de natalidade, fatores que reduzem o número de pessoas em idade ativa. Com menos profissionais disponíveis, setores essenciais enfrentam dificuldades para manter suas atividades e garantir o crescimento econômico. A busca por profissionais estrangeiros tende a crescer, abrindo novas possibilidades para quem deseja construir carreira fora do país.

Para enfrentar o problema, governos europeus têm adotado medidas como flexibilização das regras de imigração e programas de contratação internacional, facilitando a entrada de estrangeiros no mercado formal.

Alemanha: trabalhadores necessários

Alemanha está desesperada por trabalhadores qualificados, já que a chamada geração baby boomer está se aposentando e deixando o mercado de trabalho nos próximos anos, enquanto o número de nascimentos é muito baixo.

Os hospitais carecem de enfermeiros, as escolas precisam de professores e o setor de TI clama por desenvolvedores.

Economistas do Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB) em Nuremberg, Alemanha, estimam que o país precisa atrair 300 mil trabalhadores qualificados anualmente apenas para manter o status quo.

“Sem eles, os alemães teriam que trabalhar mais horas, se aposentar mais tarde. Ou simplesmente ser mais pobres”, afirma o pesquisador do IAB, Michael Oberfichter.

As oportunidades se concentram principalmente em áreas estratégicas, como:

  • Tecnologia da informação (TI)

  • Saúde (médicos, enfermeiros e técnicos)

  • Construção civil

  • Engenharia e indústria

  • Turismo e serviços

Em muitos casos, empresas relatam dificuldade em encontrar profissionais com as qualificações exigidas, o que evidencia um descompasso entre a formação disponível e as necessidades do mercado.

Europa vive cenário generalizado

Dados recentes mostram que a escassez de mão de obra não é um fenômeno isolado. Países como Alemanha, Espanha, Itália e Portugal também enfrentam dificuldades para preencher vagas e têm ampliado a busca por trabalhadores estrangeiros.

Na União Europeia, a taxa média de postos de trabalho vagos gira em torno de 2,1%, mas em alguns países esse índice é significativamente maior, refletindo a alta demanda por profissionais.

Diante desse cenário, brasileiros aparecem como um dos públicos de interesse, especialmente em áreas técnicas e especializadas. Além da demanda por qualificação, fatores como adaptação cultural e domínio do idioma continuam sendo decisivos para a contratação.

Especialistas alertam, porém, que a decisão de trabalhar no exterior exige planejamento, incluindo validação de diplomas, conhecimento das regras de imigração e análise do custo de vida.

Fontes: G1; Eurostat; Comissão Europeia; relatórios sobre mercado de trabalho na União Europeia; estudos sobre escassez de mão de obra no continente*

Por Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória

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