A repercussão em torno da herança deixada por Miguel Abdalla Netto, tio materno de Suzane von Richtofen, trouxe novamente à tona um tema que deixou de ser tabu no Brasil: o planejamento sucessório. No Espírito Santo, dados dos Cartórios de Notas indicam que o número de testamentos aumentou 12,7% nos últimos cinco anos.
Solteiro, sem filhos e sem testamento formalizado, Abdalla Netto deixou um patrimônio estimado em R$ 5 milhões. A ausência de manifestação formal de vontade abriu discussão sobre quem tem direito aos bens e quais regras se aplicam nesses casos. Sem testamento, a definição ocorre pela via judicial, que ainda deverá analisar, inclusive, a existência de eventual união estável não formalizada.
No Espírito Santo, o movimento de conscientização é crescente. Entre 2020 e 2025, os registros passaram de 377 para 425 testamentos lavrados em Cartórios de Notas. Apenas na comparação entre 2024 e 2025, o crescimento foi de 5,4%. Um dos fatores que contribuiu para o avanço foi a possibilidade de realizar o ato de forma digital, por meio da plataforma e-Notariado.
Sem testamento, a sucessão segue a ordem prevista no Código Civil: descendentes, ascendentes, cônjuge ou companheiro e, na ausência destes, parentes colaterais até o quarto grau. Quando não há herdeiros identificados, os bens podem ser destinados ao Estado.
Como fazer um testamento
O procedimento pode ser realizado presencialmente em qualquer Cartório de Notas do Estado ou de forma online pela plataforma digital. No modelo presencial, o interessado deve apresentar documentos pessoais, informações sobre os bens e beneficiários, além de comparecer com duas testemunhas maiores de 18 anos.
Na modalidade eletrônica, o cidadão agenda atendimento virtual com o tabelião, participa de videoconferência com duas testemunhas e assina o documento com certificado digital notarizado, emitido gratuitamente pelos Cartórios. O valor é tabelado por Lei Estadual.
Especialistas apontam que o aumento da procura está ligado à maior complexidade das relações familiares, à diversificação patrimonial — que inclui imóveis, empresas, investimentos e ativos digitais — e ao receio de longas disputas judiciais.
O Sindicato dos Notários e Registradores do Espírito Santo representa os cartórios capixabas e atua na defesa institucional da atividade notarial e registral, além de promover o aprimoramento técnico do setor.
Fontes: Noticiário Web
Guilherme Pacheco, da redação da Jovem Pan News Porto Velho e Vitória







