O pôquer, tradicionalmente dominado por homens, tem registrado um crescimento na participação feminina nos últimos anos. Apesar dos avanços, mulheres ainda enfrentam resistência, estereótipos e situações de preconceito ao buscar espaço em torneios e mesas profissionais.
Relatos de jogadoras apontam que comentários desrespeitosos, subestimação da capacidade técnica e até tentativas de intimidação ainda fazem parte da realidade em competições. Em muitos casos, a presença feminina é vista como exceção, o que reforça o ambiente de desigualdade em um cenário majoritariamente masculino.
Mesmo diante das dificuldades, o número de mulheres interessadas no esporte mental vem aumentando. Muitas delas têm investido em cursos, treinamento estratégico e participação em campeonatos nacionais e internacionais. O crescimento das comunidades online e de grupos exclusivos para jogadoras também tem contribuído para a troca de experiências e o fortalecimento da presença feminina no setor.
Especialistas e profissionais do meio destacam que a diversidade nas mesas melhora o ambiente competitivo e ajuda a reduzir comportamentos discriminatórios. Além disso, a profissionalização do pôquer e a maior visibilidade de jogadoras de destaque têm inspirado novas participantes.
Daniela Zapiello, 24 anos, há pouco tempo se tornou profissional, mas afirma que consegue viver com os prêmios dos torneios on-line de pôquer. “Gosto de jogar pela internet porque tem mais ação, é possível jogar em mais mesas, é mais emocionante e agressivo”, conta. “Já cheguei a ganhar US$ 20 mil de prêmio em um torneio on-line e US$ 100 mil em outro ao vivo.”
A jovem, que diz viver bem apenas com o valor recebido de prêmios de torneios de pôquer, explica que jogar pela internet pode ser perigoso. “Como você participa de diversos torneios, é mais difícil manter o controle do dinheiro.”
Além da jovem, alguns famosos são atraídos pelo jogo. É o caso do ex-jogador de futebol Paulo Rink, que no Brasil jogou no Atlético Paranaense e no Santos e, naturalizado alemão, serviu a seleção daquele país. “Comecei em 2009 em Mar del Plata [ no Uruguai], não sabia nada sobre pôquer e tive bom resultado. Estou tentando e está dando certo. Não me dei bem aqui no torneio de São Paulo, mas todos que jogam são muito legais”. Ele conta que seu maior prêmio em um torneio foi US$ 66 mil.
Legal ou ilegal?
O decreto de lei número 3.688 de 1941 proíbe qualquer jogo de azar no Brasil. O pôquer profissional, como visto em campeonatos on-line e no LAPT, por exemplo, não se enquadra nesta lei.
De acordo com o professor de Direito Financeiro e Tributário da FAAP Alexandre Nishioka, a forma como o pôquer premia os participantes é diferente do que se vê em cassinos clandestinos, onde o dinheiro é apostado na mesa. “O jogador paga uma taxa de inscrição e depois recebe um prêmio no final, do mesmo modo que tenistas pagam para entrar em um Grand Slam, por exemplo”.
Organizadores de eventos e entidades ligadas ao esporte vêm adotando medidas para incentivar a inclusão, como campanhas de conscientização e a criação de torneios voltados ao público feminino. A expectativa é que, com o tempo, a participação das mulheres deixe de ser tratada como novidade e passe a refletir uma presença equilibrada no esporte.
O movimento acompanha uma tendência global de maior inclusão em áreas historicamente masculinas, mostrando que o pôquer, além de estratégia e habilidade, também passa por uma transformação cultural.
Fonte: Folha de S.Paulo, Alagoas 24h
Por Tatiana Sobreira, da redação da Jovem Pan News Vitória







