Faltando pouco para os desfiles oficiais, o Carnaval de Vitória 2026 começa a ganhar forma no Sambão do Povo. As escolas do Grupo Especial apostam em enredos que dialogam com ancestralidade, espiritualidade, identidade cultural e preservação ambiental.

As narrativas escolhidas pelas agremiações abordam referências afro-brasileiras, povos originários, personagens simbólicos, manifestações culturais capixabas e reflexões sobre o futuro, reforçando o carnaval como espaço de memória, resistência e debate social.

Confira, abaixo, os enredos das escolas do Grupo Especial, organizados conforme a ordem dos desfiles.

A Pega no Samba apresenta “Okê Caboclo Sete Flechas – Guardião Ancestral da Natureza”, com foco na figura espiritual associada à proteção ambiental, à sabedoria dos povos originários e ao combate à intolerância religiosa. O enredo destaca a relação entre ser humano e natureza a partir da cosmovisão indígena.

A Novo Império leva à avenida “Aruanayê – Guardiãs dos Mistérios Ancestrais”, narrativa que exalta a força feminina como elo entre espiritualidade, natureza e resistência cultural. O desfile constrói um território mítico marcado pela união de saberes africanos e indígenas.

Com “Arreda homem que aí vem mulher”, a Unidos de Jucutuquara apresenta Maria Padilha como símbolo de transformação e ancestralidade. O enredo associa a entidade às lutas contemporâneas contra o machismo, o racismo e a intolerância religiosa, reforçando o carnaval como instrumento de reflexão social.

A Mocidade Unida da Glória (MUG) aposta em “O diário verde de Teresa”, inspirado nos registros da naturalista Teresa da Baviera durante passagem pelo Espírito Santo em 1888. A narrativa destaca a fauna, a flora e os saberes dos povos originários, além de alertar para ameaças ambientais.

A Imperatriz do Forte leva ao Sambão o enredo “Xirê: festejo às raízes”, que celebra tradições africanas e afro-brasileiras a partir da roda como símbolo de fé, memória e resistência. O desfile mostra como esses saberes atravessaram o Atlântico e se mantêm vivos na cultura popular brasileira.

A Rosas de Ouro apresenta “Cricaré das origens – O Brasil que nasce em São Mateus”, contando a história da cidade desde o período pré-colonial até os dias atuais. O Rio Cricaré surge como eixo central da narrativa, que destaca a contribuição indígena e afro-brasileira na formação do município.

Com “O Canto Livre de Papo Furado”, a Unidos da Piedade homenageia o intérprete Edson Papo Furado, figura histórica da escola. O enredo transforma sua trajetória em símbolo de ancestralidade, resistência e identidade cultural capixaba.

Atual campeã, a Independente de Boa Vista defende o título com “João do Congo – A Voz que Dança nas Folhas da Resistência”. A escola exalta o Congo como matriz cultural do Espírito Santo, tendo João Bananeira como personagem simbólico da resistência popular.

A Chegou o Que Faltava apresenta “Orí – Sua Cabeça é Seu Guia”, que aborda o conceito de Orí na filosofia iorubá. O desfile propõe uma reflexão sobre identidade, destino e cuidado integral do indivíduo, organizando a narrativa como uma jornada espiritual.

Encerrando a lista, a Andaraí traz o enredo “01/12/46”, que revisita sua fundação no bairro Santa Martha. A escola apresenta sua história como resultado da memória coletiva, da fé e da resistência popular, destacando processos de crescimento, retomada e reinvenção ao longo do tempo.

*Com informações da Folha Vitória 
Foto: Reprodução/ TV Gazeta

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